Tupis
 Os
tupis eram povos nômades, coletores, que viviam em aldeias (tabas)
com população que ia de algumas dezenas a milhares de pessoas. Essas
aldeias tinham uma media de vida de 50 anos. Quando a caça e a pesca
começavam a escassear na região, a comunidade desmontava tudo e
se mudava para um sitio mais propicio. As aldeias em grande parte
possuíam formato circular e eram subdivididas em casas, denominadas
ocas, onde vivia toda uma família. O centro da aldeia, denominado
de ocara, geralmente era o sitio sagrado e não poucas vezes vetado
aos não iniciados. O comando da taba era entregue a um líder, o
"cacique", cuja tradução pode ser "o que manda", o qual era eleito
por um conselho tribal, podendo ser deposto em caso de ineficiência.
Geralmente a escolha cabia a quem possuía virtudes guerreiras pronunciadas.
Apesar da força do cacique e do conselho tribal, existia um líder
espiritual, o "pagé", cuja tradução é "homem santo" que não era
eleito por ninguém mas era respeitado por todos, pois acumulava
as funções de medico e líder espiritual. O pagé conhecia todas as
ervas medicinais e orações. Seu conhecimento era de tal quilate
que os cientistas modernos estão lhes rendendo as devidas homenagens,
pois alguns remédios indígenas tem sido redescobertos pela medicina
moderna como extremamente eficientes. A organização familiar indígena
privilegiava o patriarcado e, na aldeia, todos trabalhavam. O trabalho
era dividido pelo sexo e faixa etária, estando reservado aos homens
a caça, pesca e guerra. Às mulheres eram reservados os serviços
domésticos e a educação dos filhos. Apesar da literatura do colonizador
freqüentemente caracterizar o índio como vagabundo e selvagem, a
realidade era o oposto. Como foi dito acima, todos na aldeia trabalhavam,
inclusive crianças e velhos. Apesar da fama de ferozes, os índios
guerreavam pouco.
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