A Prisão da Ilha Grande
Nela
estiveram presos, dentre outras personalidades, o escritor Graciliano
Ramos (1936), preso pela polícia de Getúlio Vargas,
sob acusação de comunismo. Neste prédio também
esteve preso por décadas, depois se radicando em definitivo
na ilha e lá sendo enterrado, o famoso travesti e transformista
da Lapa “Madame Satã”, o negro e homossexual
João Francisco dos Santos, nascido em 1900, e que foi muito
cultuado no fim da vida, virando tema de filmes e ícone da
contracultura até sua morte, de causas naturais, em 1976.
Passou 26 anos encarcerado.
Quando
da transferência da Capital da República para Brasília,
foi o presídio transferido para o recém criado Estado
da Guanabara (1960), tendo então o Governador Carlos Lacerda
ordenado a quase total demolição do monumental edifício.
Hoje dele só restam algumas esparsas ruínas.
Na
sede da antiga Fazenda Dois Rios, outrora um grande centro cafeicultor,
decaído em fins do século XIX, foi instalada nos anos
cinqüenta uma sede da Colônia Agrícola do Distrito
Federal. Foi depois transformada em 1961 numa Colônia Penal
pertencente ao Estado da Guanabara. Durante o Regime Militar (1964/85)
muitos presos políticos para lá foram transferidos,
mesclados aos criminosos comuns. Dessa convivência de guerrilheiros
bem treinados com assaltantes de rua surgiu uma terrível
aliança, que resultou os meliantes passarem a ter treinamento
militar dos guerrilheiros, levando depois essa experiência
para o tráfico de drogas, com as nefastas conseqüências
que até hoje sentimos. Desta Colônia Penal, em 1986,
ocorreu a mais fantástica fuga de um meliante no Brasil,
quando um comando fortemente armado e provido de moderno helicóptero
conseguiu evadir por este meio o famoso traficante carioca José
Carlos dos Reis Encina, o “Escadinha”, recapturado depois
de muito trabalho.
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