A
região foi também rota do ouro que vinha da Minas
Gerais e era embarcado para Europa, em Paraty e Angra dos Reis.
Um dos galeões de madeira que está sendo pesquisado
atualmente naufragou por volta de 1500 e consta nos registros históricos
que, quando os portugueses vinham buscar índios, um deles,
o índio Cunhambebe, encheu várias canoas de palha
e incendiou o galeão, levando-o ao fundo. Ele está
naufragado próximo a Enseada do Abraão, na Ilha Grande,
onde muitos outros galeões estão afundados, alguns
com até quatro metros de areia por cima.

No princípio do século
XX, Jacuecanga foi novamente procurada para sediar uma grande base
naval e o novo Arsenal da Marinha de Guerra do Brasil. Resolveu
o Governo da União mandar uma pequena força naval
ao local para proceder às devidas sondagens e estudos. Eram
três navios: o encouraçado “Aquidabã”,
e os cruzadores “Barroso” e “Tiradentes”.
Todos os três saíram do Rio de Janeiro na manhã
do dia 20 de janeiro de 1906, chegando à Jacuecanga na tarde
do mesmo dia. O encouraçado “Aquidabã”,
Capitânea da Esquadra Brasileira, transportava, além
da tripulação oficial, engenheiros, técnicos,
construtores navais e muitas autoridades. Às 22:00h do dia
21 de janeiro, ocorreu uma grande explosão à bordo
do Aquidabã, seguida de outras menores, levando o encouraçado
a afundar, carregando consigo 200 homens em seu tumulo de aço.
A explosão detonou igualmente a idéia da Marinha de
ali erguer sua base naval. Hoje o Aquidabã repousa no fundo
da baía, recoberto de corais e serve de habitat de inúmeras
espécies de peixes raros. Uma arma criada para a morte, acabou,
por outras contingências, abrigando a vida. Um monumento aos
mortos erguido no litoral angrense lembra a maior tragédia
naval brasileira.
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