Serra-Velho
A brincadeira
do Serra-velho é uma das mais antigas manifestações
folclóricas do período da quaresma.
Em muitos
lugares o Serra-Velho ocorre nas quartas feiras de cinza, tendo sido
uma brincadeira comum, principalmente nas cidades do nordeste. Em
outros acontece na noite da sexta para o sábado de Aleluia
e assemelha-se a um auto improvisado, onde sempre a figura visada
é um carrancudo velho do bairro ou da cidade. Em Angra, a tradição
ocorre no dia 19 de março, dia de São José.
De origem
portuguesa, por lá chama-se "serrar a velha". Um
grupo se reúne para, em meio a grande algazarra, ler um "testamento"
em que se expõe as mazelas de determinado velho ou velha, as
rabugices, a mesquinhez e, sobretudo, seus deslizes: amantes e as
trapalhadas nos negócios ou na política. Um coro de
"carpideiras" chora e grita enquanto um dos componentes
do grupo lê o tal "testamento".
Entre choros
e lamentos pela suposta morte do velho serrado, integrantes do grupo,
de serrote em punho, serram um pedaço de madeira ou até
mesmo um caixão e, aproveitando o som produzido pela ferramenta
na madeira, formam um coro pronunciando sempre: serra velho! serra
velho!
De repente,
o mais gaiato do grupo grita o nome da vítima, anunciando o
testamento entre gritos e choro alto que, entre outras coisas, destinava
as filhas do fulano aos namorados secretos ou pretendentes sem sucesso.
Os objetos mais preciosos eram revelados com a lista dos novos donos,
geralmente pessoas que o "serrado" detestava. E não
só os objetos, mas igualmente a mulher, a amante, quando havia.
As manias da vítima eram reveladas aos gritos. Geralmente,
se o velho, até então, não manifestou nenhuma
represália ao grupo, certamente o fará agora. |