Festa do Divino

A festa que celebra a suprema entidade que simboliza o Amor Divino surgiu na idade média, em Portugal. Tradicionalmente, atribui-se sua instituição à Rainha Santa Isabel, em meados do século XIV. Decepcionada com a baixa religiosidade em Portugal, onde a terra acabara de ser reconquistada aos mouros e a população em grande parte seguia o islamismo e o judaísmo, pensou a Rainha numa grande celebração religiosa que envolvesse toda a população.
O que era inicialmente uma pequena procissão acabou se ampliando com o passar dos seis séculos, encampando outras festas religiosas e até algumas profanas. Em certas épocas a festa chegava a durar um mês, depois reduzida aos atuais dez dias. Apesar de instituída por uma Rainha, a festa era e é de caráter popular e deve sempre ser realizada pela comunidade de cada aldeia, vila ou cidade. Os portugueses levaram a celebração para suas colônias, sendo que, nas possessões da África, incorporaram a figura do Imperador, em verdade um menino vestido ricamente que, em tese, dirige a festa em nome do Rei.
A festa começa cinqüenta dias após a Páscoa e dura até o domingo de Pentecostes. No sábado anterior o bispo vem à cidade e coroa o Imperador na Igreja Matriz.
No Brasil, durante o século XVIII, a festa recebeu novos elementos, oficializando a realeza do Imperador Divino, representado por um menino de 10 anos.
Antigamente a festa era precedida da Folia do Divino, que meses antes percorria as casas da cidade e as roças, angariando fundos para as festividades.
A Bandeira da Folia é vermelha com a pomba branca e muitas fitas de variadas cores dos devotos que alcançaram alguma graça.
São dez dias de festa, que é dividida em setenário preparatório e três dias precedidos pelo Menino Imperador que chega de barco ao cais da cidade e desfila pelas ruas acompanhado do mordomo, guarda estoque, autoridades, grupos de danças e pelo povo.Durante esses três dias, há missas solenes, onde na primeira acontece a troca de chapéu pela coroa, e na última a troca da coroa pelo chapéu.